Sobre o verdadeiro pecado!

Sobre o verdadeiro pecado!
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida." Carl Sagan

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mais


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Se não for surpreendentemente bom, se não tiver afinidades, se não me fizer sonhar e sorrir sozinha eu fico como estou, eu me acostumei a viver só e abro mão da minha rotina, apenas quando for para me sentir extremamente feliz ao lado de alguém.
Não quero casos, não quero relações superficiais, não quero romances de “faz de conta”, não quero ilusões passageiras, não quero mais nada vão. Superei a minha fase de adolescência tardia, agora eu quero o inteiro, o ótimo, o maduro.
Eu quero amar, mas eu quero da minha forma. Quero alguém para compartilhar meus segredos, alguém que me faça sonhar, alguém que me faça sentir uma alegria fora do comum, alguém que me ame intensamente
Eu quero alguém que entre na minha vida, sem querer geri-la, alguém que cuide de mim, mas não queira cercear meus livres pensamentos, alguém que me aceite como sou, porque será aceito e amado como é. Eu quero cuidar com todo o carinho do mundo de um coração que mereça o meu.
Eu quero dividir o meu coração, quero dar-lhe parte da minha alma, eu quero algo estrondoso, algo fenomenal, por isso eu fico sozinha. Não me contento com o razoável e meramente agradável, eu quero mais, muito mais do que isso.

Passo Fundo, 29 de junho de 2012.

Cláudia de Marchi

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Chega um dia...


Chega um dia...

Chega um dia em que você resolve virar a página, chega um dia em que você percebe que já percorreu muita estrada para voltar atrás e que, por mais desconhecido que seja o futuro, é lá que você vai viver. Existe um motivo pelo qual o seu passado não é presente, quando o dia chegar, você compreenderá melhor este fato.
Chega um tempo em que você cansa de sentir saudade, de remoer lembranças, de amargar arrependimentos, de colocar em si culpas que não chegou a ter ou que, ao menos, não teve em vão. Chega um tempo em que a sua autopiedade lhe anoja!
Chega um dia em que a sua cara cansada, as suas lágrimas e o sofrimento que lhe assola, (mesmo que você não saiba explicar os motivos pelos quais ainda o cultiva), lhe cansam, lhe estupefazem. Chega um dia em que você resolve pensar, pensar e pensar mais, apesar da ansiedade, apesar da dor, você simplesmente resolve parar de fugir ou de procurar a solução mais fácil para ela. Você a aceita, porque sabe que conseguirá dar-lhe um fim.
Você resolve solucionar a sua vida, porque esta cansado de ter recordações, você cansa de pensar que poderia ter agido diferente e percebe que é mais fácil andar rumo ao amanha do que estagnar ou esperar que o que devia, mas não ocorreu no passado, ocorra no presente.
Finalmente você cresceu! Você não acredita mais no coelhinho da Páscoa e no Papai Noel, você não acredita mais em milagres e, quando este dia chega, você percebe que ter pena de si mesmo e se autodestruir não mudam nada, apenas lhe fazem uma pessoa menos contente e, simplesmente, mais infeliz!
Ser infeliz ou minar a própria vida e saúde não servem para nada, apenas para lhe fazer sentir-se mais inútil e sofrido. Dor gera dor. Mas chega um dia em que você cansa de esperar milagres, você cansa de sofrer. Neste dia você transforma seu arrependimento em aprendizado. Eis que você esta pronto para seguir adiante!
Quando você percebe que sofrer não adianta, que chorar de arrependimento não muda nada, apenas lhe faz um ser atormentado, quando você consegue perceber que o sofrimento é um grande professor, você se torna uma pessoa madura, uma pessoa apta a viver bons momentos, a ser feliz e, enfim, a amar.
A sua vida muda completamente quando você consegue mudar, leva tempo, dói e arde, afinal você vai errar, vai dar murro em ponta de facas, vai seguir caminhos errados, vai se iludir, vai querer voltar atrás, mas se você tiver amor no coração e fé, cedo ou tarde, você se encontra, então consegue se tornar um ser apto a ser feliz novamente. O tempo resolve tudo, desde que você não fuja da vida e das experiências que ela lhe apresenta, o que inclui toda forma de sofrimento.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 28 de junho de 2012.

Magôo


Magôo

Se eu magôo as pessoas, se eu faço alguns indivíduos sofrerem? Sim, claro que sim. A única forma de não magoar ninguém neste mundo é mentir, é não ser você mesmo, é fingir, é ir contra os seus instintos, as suas vontades, é, enfim, ir contra você mesmo.
Eu magôo, eu firo, eu avilto, eu ofendo e eu machuco corações, porque eu priorizo a verdade na minha vida. Se você quer uma pessoa fácil, dócil e manipuladora, uma pessoa que lhe faça sorrir mesmo sem lhe amar, que fique ao seu lado, mesmo que não queira, mantenha distância de mim.
Tem algo em mim que não aceita fazer o que o coração não quer, algo que me deixa mal, que me faz o estomago doer, que me dá taquicardia e todas as espécies de mal estar que uma pessoa pode sentir.
Eu preciso agir de acordo com os meus sentimentos, eu sou capaz de muitas coisas, mas eu não consigo fingir, não consigo ser falsa. Pode ser que eu lhe ame hoje e deixe de amar amanha, por um motivo qualquer, o certo é que se eu estou com você agora, é porque todas as moléculas do meu corpo lhe desejam, é porque meu coração e minha mente querem.
Eu faço apenas o que todo meu corpo, incluindo minha alma, anseiam, sou incapaz de trair meus instintos, minhas vontades, meus sentimentos, meu coração e, por ser assim, eu posso magoar quem me cerca, afinal, é impossível corresponder aos sentimentos e desejos alheios sempre.
Eu não sou perfeita, estou longe de ser santa, mas falsa, fingida e interesseira eu nunca fui, nem serei. Se eu lhe amar, eu fico, se eu não lhe amar, faça-me um favor: dê-me licença. Não é por querer que eu posso lhe magoar, é por franqueza e dela, lamento, mas eu não abro mão.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 28 de junho de 2012.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O marco


O marco
Foi num lapso, foi num piscar de olhos, como no poema, ocorreu de repente, não mais que de repente: eu despertei para a vida e me senti realmente madura!
Consegui ver os meus atos superficiais, o meu bem querer mal direcionado, o meu comodismo e ceticismo, de forma imparcial e distanciada, então eu senti que o que trazia prazer era ilusão, o que me fazia sorrir era banal e sem sentimento, era frio, apesar da aura leve.
Percebi nítida e notoriamente o que eu quero perto de mim e o que não quero mais em minha vida. Enfim, eu consegui distinguir o que pode me fazer completa, daquilo que me faz sentir uma felicidade frágil, gerada por uma quimera de ilusão.
De repente, portanto, eu decidi optar por mim, pelos meus sonhos puros, pelo meu lado inocente que espera e ainda crê no amor e nas suas dádivas. Foi assim, num piscar de olhos mágico, que eu acordei para o meu futuro e senti o bem que eu mereço e do que devo me afastar para encontrá-lo. Ilusões, nunca mais! Elas lhe alegram por instantes e lhe fazem agoniar pelo dobro de tempo.
Pessoas maduras, pessoas intensas não se contentam com superficialidades, com banalidades. Pessoas como eu nasceram para serem protagonistas, não coadjuvantes, elas querem saber onde pisam e não se sentem plenas com aquilo que não lhes toca o fundo do coração. Eu sou assim, simples ou não, apenas sou, afinal não nasci para agradar a ninguém.
Cláudia de Marchi
Passo Fundo, 27 de junho de 2012.